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Por que Batman vs Superman é um filme incompreendido e injustiçado?


Com seu lançamento marcado para março de 2016, Batman vs Superman foi, talvez, o filme mais controverso, debatido e discutido do ramo super-heróis de todos os tempos. Diferente de filmes como Batman: O Cavaleiro das Trevas ou Coringa, com aceitação prevalecendo sobre elas como obras quase que perfeitas, Batman vs Superman tomou um rumo diferente e dividiu extremamente as opiniões. Mesmo depois dos seus 5 anos de lançamento, Batman vs Superman, ainda continua sendo bastante atual e relevante, rendendo debates calorosos nas páginas e nos grupos de cultura pop até os dias de hoje.


Pensando assim, muitas obras no passado que eram tidas como estranhas ou confusas, com o tempo, se transformaram em filmes aclamáveis, como Blade Runner por exemplo. Toda crítica é bem-vinda a qualquer material cinematográfico sendo positiva ou negativa, e esse é o ponto interessante, com pessoas com diferentes visões e interpretações de um mesmo material. Acontece que, diferente de uma simples opinião, muita coisa acaba saindo exacerbada, exagerada, rasa ou superficial. E isso pode acabar prejudicando uma obra por não ser compreendida da forma adequada.


Depois de muito tempo observando comentários do tipo “sem nexo”, “sem coerência”, “confuso”, “não respeita a mitologia dos personagens”, “descaracteriza os personagens”, resolvi escrever um artigo em dizer como Batman vs Superman é sim um filme coeso, bem apresentado, com as motivações claras, críveis e justificáveis de cada personagem, sem abandonar sua essência, mas se permitindo explorá-los de forma corajosa e audaciosa. Desmitificando e desmentindo os argumentos que tentam pintar Batman vs Superman como o pior filme de heróis.


Para melhor compreensão, separei o texto em três arcos, focando nos três personagens principais da trama: o próprio Superman, Batman e Lex Luthor. Vale lembrar que a proposta de Batman vs Superman é mostrar um mundo mais realista, uma estória mais pé no chão de como os personagens lidam com as consequências do outro.

Arco do Superman

Começando com Clark Kent, muitos o retratam como um Superman sem carisma, sem emoção, depressivo e obscuro. Desde o filme Homem de Aço, logo em seu início, mostra-se os primeiros indícios da reação da humanidade com um ser poderoso e o quanto ficam impressionadas e assustadas com tal prodígio. “Meu filho estava no ônibus , ele viu o que o Clark fez. Isso foi um ato de Deus Jonathan”.

 

Desde quando era mais moço, Jonathan Kent alertava ao jovem Clark que a humanidade não estaria pronta para o receber.  “Meu pai acreditava que se o mundo descobrisse quem eu era de verdade, iria me rejeitar. Ele tinha certeza de que o mundo não estava pronto”. Desde antes de tudo, Jonathan já previa as consequências que seu filho teria na Terra por ser um ser de outro mundo, com habilidades especiais e pelas pessoas não entenderem e terem medo dele. “Quando o mundo descobrir o que você pode fazer filho, tudo vai mudar. Nossas crenças, nossas noções, o que significa ser humano, tudo. Você viu como a mãe do Pete reagiu, não viu? Ela estava assustada, Clark. As pessoas têm medo daquilo que não entendem”.


 

Com o passar de sua juventude, chegando na fase adulta, Clark manteve seu lado misterioso em segredo por quase todo instante, manifestando-os apenas em situações especiais. Mesmo com seus 33 anos, antes da chegada de Zod, mantendo-se afastado, isolado de tudo, sumido como um fantasma, Clark tinha bastante conflito dentro de si, tentando descobrir sobre si mesmo e seu propósito no mundo.

 

Seria um grande fardo para qualquer um suportar, mas você não é qualquer um Clark. Acredito que você foi enviado para cá por uma razão. Essas mudanças das quais está passando um dia você vai vê-las como uma benção, e quando este dia chegar vai ter que fazer uma escolha, a escolha de ser revelar com orgulho perante a raça humana ou não. Em algum lugar por aí você tem outro pai que te deu outro nome. Ele enviou você para cá por um motivo Clark, e mesmo que leve a vida toda, você deve a si mesmo descobrir qual é esse motivo. 

 

Viajando como um andarilho procurando respostas, mesmo já adulto, isso não o impedia de ainda de ter suas próprias questões existenciais, ainda mais sendo um ser poderoso.



Existe uma coisa que diferencia idade de maturidade. É comum você ver pessoas com 30 anos que possam ter mais dúvidas que um jovem de 15. Ou um moleque de 14 anos podendo ter mais maturidade que um cara de 20. A maturidade funciona como os planetas do sistema solar. Todos darão a volta em torno do sol e completarão seu ciclo de translação, mas cada um vai no seu ritmo, na sua velocidade pessoal. Da mesma forma, pessoas mais novas podem amadurecer mais cedo ou pessoas mais velhas pode amadurecer mais tarde. O fato de Clark ter seus 33 anos e ainda assim não saber ao certo o que fazer, não seria um atestado de retardo mental, como já vi pessoas dizerem isso, sobre ele não saber como agir diante da humanidade mesmo já adulto. Sentir-se como o Clark, é algo mais humano que parece, mais real do que se possa pensar. É por isso que esse Superman é tão diferente dos outros. Ele é a própria expressão de humanidade.

Tanto Jonathan Kent, quanto Jor-El tentam ensinar a Clark seu papel e seu dever perante a humanidade, dando início a sua jornada, de se revelar diante do povo da Terra, se impondo contra a ameaça de Zod, escolhendo a Terra ao invés de Krypton. O filme Homem de Aço é o retrato do descobrimento das capacidades de Clark, descobrimento de seus poderes, descobrimento de suas origens e descobrimento de como agir diante da humanidade, mas ainda assim, livre de qualquer perfeição. Mesmo tentado defender a Terra da ameaça de genocídio de Zod, em transformá-la no planeta em Krypton, as consequências da batalha foram gigantescas, com muito inocentes morrendo no percurso dessa luta colossal. Assim, chegamos em Batman vs Superman


Ao saber que Lois estava em perigo em um país no deserto da África, Superman não mede esforços até chegar lá para salvar sua amada. Mas ao fazer isso, uma tragédia acontece e alguns aldeões morrem no local. Mesmo tentando fazer o bem, por uma parte da população, Superman fora colocado em julgamento, acusado por destruições, mortes e sofrimento por onde tem passado, desde a batalha contra Zod somado ao incidente na África, começando a gerar dúvidas na opinião pública quanto a seu comportamento.  Uma pergunta começa a circular na mídia, quanto o Superman deveria intervir em assuntos internacionais, começando a gerar um caos político. “O mundo ficou tão maravilhado com o que o Superman é capaz de fazer que ninguém se perguntou o que ele deveria fazer. Que fique registrado que esse comitê o considera responsável”.



Clark, ao olhar a entrevista da mulher que depôs contra ele no capitólio, uma das vítimas do país no deserto onde acontecera a tragédia inicial, se depara com o questionamento dela sobre as atitudes do Superman.


“Porque chegou a hora do mundo ouvir o outro lado da história. Dizem que o Superman é o herói, tá, mas o herói de quem? A minha família também tinha sonhos. Eu olharia nos olhos dele e perguntaria como ele decide quem merecesse viver e quem não merece”.

Ao olhar incrédulo para a televisão, Clark fica em um estado de confusão em si de não compreender como estaria sendo acusado de mortes que não cometeu ou de ser seletivo quanto as pessoas. Pouco depois, ele avista mais uma vez em uma reportagem na televisão, uma pessoa pichando seu monumento em Metrópolis com a frase "falso deus". Ali, Clark entende exatamente o que seu pai Jonathan lhe dizia acerca de ser rejeitado por não ser compreendido.   


 

Com Perry, do Planeta Diário, pedindo-o que fosse a Gotham City para cobertura de uma reportagem sobre futebol americano, Clark aproveita sua ida para se encontrar com a mulher do país do deserto que o culpa pela tragédia naquele dia. Ele tenta encontrá-la no suposto apartamento de onde morava, mas não consegue por ela estar ausente. Clark ouve um boato vindo do corredor do apartamento de onde estava, de um senhor de idade, dizendo que a mulher a quem procurava já deveria ter saído da cidade e que acharia bom que assim fosse pois ela poderia dar de cara com “ele.”



Ao intervir na conversa dos dois, outra mulher se aproxima de Clark dizendo: "Não escuta essas bobagens, só algumas pessoas têm medo dele, as pessoas que tem razões para isso”. Clark pergunta a ela quem era a pessoa que teriam medo, e aquele senhor responde que teria algum tipo de maldade “nele”, que “ele” estava com raiva.

 


Mesmo com seus 18 meses como jornalista, é a primeira vez que Clark começa a ter um maior contato com esse vigilante que sai pelas ruas de Gotham prendendo criminosos de forma brutal, como uma assombração que aterroriza os bandidos.


Ao investigar sobre esse vigilante, Clark entende que ele combate o crime, mas discorda totalmente da forma como faz, marcando-os como animais prontos para o matadouro, agindo como juiz, júri e executor, sem o menor remorso de saber que morrem na prisão por causa de sua marca. Ele acha que isso está além de se fazer justiça, como alguém se colocando acima da lei.



Assim, ele entende que esse morcego de Gotham é perigoso, agindo como um lunático e psicopata que precisa ser detido. “É o reinado de terror de um homem. Esse morcego vigilante tem atuado constantemente no porto e nas casas populares adjacentes e, até onde eu sei, os policiais estão ajudando ele. Se a polícia não ajuda a imprensa faz a coisa certa. Quando o planeta diário foi fundado ele tinha um ideal, se esqueceu Perry?” 


 
Desse modo, ao ver que nem as autoridades e nem a imprensa ligam para situação, Clark decide intervir pessoalmente, como Superman, nas docas para deter esse maluco perturbado. “Da próxima vez que acenderem sua luz no céu não apareça, o morcego está morto. Enterre. Considere misericórdia”. Agindo assim, Clark usa da intimidação para repreender o Batman e fazer com que parasse.



Com o debate público crescente em diferentes canais de televisão e mídias de informação acerca do Superman, Clark se sente sozinho e desolado por sempre buscar entregar o melhor de si para a população, de salvar toda a raça humana de um alienígena que queria exterminá-los, de salvar pessoas de prédios em chamas, de salvar pessoas de maremotos. Sendo qual for seu ato, ainda assim era criticado e questionado. 



Imagine você em sua vida cotidiana, que faz um trabalho excepcional e extraordinário e mesmo assim as pessoas a sua volta lhe acusam, lhe questionam e lhe criticam, mesmo tendo feito algo benéfico. No mínimo, você entraria em profunda reflexão perguntando a si mesmo: “O que mais eu poderia fazer? O que mais querem de mim? Todo esse esforço ainda não é o bastante?” E é neste ponto que o Superman entra na sua maior crise existencial, de não saber mais o que deve oferecer a raça humana, tendo a mesma reagido com hostilidade com suas boas ações.


Ao procurar conselhos de sua mãe, ela lhe diz: “As coisas nunca são simples, as pessoas odeiam aquilo que não compreendem. Mas elas veem o que você faz e sabem quem você é. Você não é um assassino, uma ameaça. Eu nunca quis que este mundo tivesse você. Seja um herói Clark, seja um monumento, seja um anjo, seja qualquer coisa que precisa que você seja ou não seja nada. Você não deve nada a este mundo, nunca deveu”.



Logo após o consolo de sua mãe, Clark decide ir ao capitólio para depor sobre os desastres e mortes que o acompanhavam. Mas antes que pudesse falar, mais uma tragédia aconteceu. Uma explosão no capitólio interrompeu seu depoimento, aumentando fervorosamente as desconfianças sobre ele ser alguém poderoso e não ter feito nada para impedir. Ao ver os corpos estirados em sacos nas escadas do capitólio, Superman sente grande tristeza e compaixão pelas vítimas do acidente. Assim, ele se retira para uma região montanhosa para fazer uma espécie de procissão para descobrir o que fazer diante de tanta catástrofe que lhe perseguia.



Tendo a visão de seu pai no cume da montanha, ele lhe diz:

Eu me lembro de uma estação chuvosa. Eu tinha menos de 12 anos. Meu pai pegou as pás e trabalhamos a noite toda. Ficamos lá até eu desmaiar mas conseguimos parar totalmente a água. Salvamos a fazenda. Sua avó me fez um bolo. Virei um herói para ela. Descobrimos depois que quando bloqueamos a água, ela vai para outro lugar. A fazenda Lang inteira foi alagada. Enquanto eu comia meu bolo do herói, os cavalos deles se afogavam. E os ouvi agonizando enquanto dormia. Sim, os pesadelos pararam, quando eu conheci sua mãe, ela me fez ter fé que existe o bem no mundo, ela era meu mundo.


Clark aprende ali que, por mais que faça o bem como seu pai tentou a fazer com sua fazenda, consequências ruins podem surgir mesmo com a intenção de se fazer algo bom. Ele entende que haverá sempre um preço a se pagar, mesmo com a mais nobre das intenções. Que, como seu pai encontrou esperança em sua mãe, Clark encontrou esperança em Lois. E Lois realça em Clark o símbolo que veste em seu peito, lembrando-o sobre o que Jor-el  lhe dissera sobre o símbolo da casa El.


Mesmo diante de toda a armação de Lex para matá-lo, ele ainda sim o defende quando Apocalypse iria atacá-lo. Mesmo tendo Batman o desejo de matá-lo, ele o salvou de si mesmo. Mesmo que o mundo o rejeitasse, ele se sacrificou pelo mundo que não o aceitou como seu herói, escolhendo morrer para que os outros não perecessem. Isso é heroísmo, isso é ser Superman. Em nenhum momento ele deixa a sua essência de lado, deixando de ser o que ele é.


Desde o início, quando ele salva um ônibus que se afundava ou resgata pessoas de uma plataforma de petróleo, em chamas no oceano, em Homem de Aço, já se nota a boa índole do personagem. Ele é mais poético, mais filosófico, mais reflexivo, mais questionador, meditando sempre sobre o seu ser e o seu dever. E para fazer isso você não precisa apresentar um personagem que fique sorrindo o tempo todo, tentando empurrar goela abaixo em dizer que ele é íntegro ou justo. Nós temos a capacidade de observar isso com suas escolhas.


Este é apenas um Superman mais realista, apresentado de forma mais crível sobre como seria um ser com força sobrenatural diante dos homens. Batman vs Superman seria apenas um espelho real se algo assim existisse de verdade.



Ao contrário daqueles que reclamam desse Superman não ser aquele escoteiro tradicional, vale ressaltar que o arco do personagem foi pensado e construído para ser apresentado em cinco filmes. Imagina por exemplo pegar uma franquia como Harry Potter, tendo a J.K Rowlling pensando no universo para ser sete livros e antes de todos os livros serem lançados, viesse a editora e dispensasse o restante do material, parando aquele universo na metade do caminho. Nunca saberíamos que um dos maiores aliados de Dumbledore fora Snape, por exemplo. Então, essa conversa desse Superman ser descaracterizado soa ridícula, porque ele ainda mantém o que ele é nas obras já lançadas e, também o próprio escopo preparado pelo Snyder para o personagem não estar completo.


Ao longo do percurso veríamos cinco etapas. Construção (personagem se descobrindo e aceitando de vez suas poderes, visto em Homem de Aço); Desconstrução (mesmo que faça o bem é questionado, colocado em julgamento, tentando revelar a farsa que poderia ser para o mundo, vista em Batman vs Superman); Construção (Renascimento, ressurgimento, convicto agora sobre seu dever perante os homens sem as dúvidas do passado, vista em Liga da Justiça); Desconstrução (Darkseid o transformando em seu assecla, fazendo-o ceder para a equação anti-vida e tornando-se seu ditador, onde seria visto em Liga da Justiça - Parte 2); e construção (livrando-se do controle inimigo, defendendo o planeta  da Armada de Darkseid  com total bravura e coragem, liderando os exércitos da Terra em defesa do planeta, sendo o maior farol de luz, o símbolo máximo de esperança, onde seria visto em Liga da Justiça - Parte 3).

 


Apresentando desta forma, seria um motivo lógico e de bom senso para as coisas terem começado como começaram. Assim como qualquer pessoa na vida real que não nasce sabendo tudo, que não nasce pronta, mas que ao caminhar na longa estrada da vida vai se descobrindo, sabendo seus limites, o que é certo e o que é errado, seu arco de desenvolvimento, mostrando seus percalços, sua trajetória, suas dificuldades, suas dores, suas aflições e seus erros, mostraria no final um Superman que todos já conhecem: formado, forjado, amadurecido, símbolo irretocável, livre de questionamentos e dúvidas, representando o símbolo da casa El como uma força fundamental para o bem e cumprindo o que seu pai Jor-El lhe dissera lá no começo em Homem de Aço: “Você dará ao povo da Terra um ideal para seguir, eles irão perseguir você, irão fraquejar, irão cair. Mas com o tempo, vão se unir a você ao sol. Com o tempo, você os ajudará a realizar maravilhas".



Arco do Batman



Bruce suspeita que uma bomba atômica será trazida para Gotham por alguém intitulado de Português Branco. Ao tentar procurar respostas, ele interroga um criminoso e tenta saber que precisa. Bruce acaba não conseguindo nada de relevante daquele criminoso, mas sabe que um certo russo teria ligação com a bomba. Antes de ir embora, ele marca na pele do criminoso com o símbolo do morcego e foge dos policiais que estavam chegando no local. Com a reportagem no dia seguinte no jornal impresso, a primeira capa expunha: "Marca do morcego da justiça". Aqui, já começa a mostrar os primeiros detalhes no filme da forma do Batman fazer justiça, de forma mais violenta.


 

Mesmo questionado sobre suas novas regras de agir, por Alfred, Bruce não liga como usa seus métodos para conseguir o que precisa: “Somos criminosos Alfred, sempre fomos, nada mudou”.  Mas Alfred não se deixa convencer disso ao observar com um bom olhar analítico sobre a situação, não se permitindo enxergar da mesma forma que Bruce: “Ah, mudou sim senhor, tudo está diferente. Homens caem do céu, deuses soltam trovões, inocentes morrem. É assim que começa senhor, a febre, a raiva, o sentimento de impotência, torna homens bons, cruéis”. Nitidamente, Alfred percebe o quanto Bruce esta destoando e definhando aos poucos daquilo que era quando começou a vestir o manto do morcego.


Ao investigar o russo que deveria ter ligação com a bomba atômica, ele o encontra em um bar. Ao se aproximar dele, ele puxa uma rápida conversa enquanto com seu celular posto a mesa, tenta clonar o dispositivo móvel dele. Com a clonagem bem-sucedida, Bruce descobre com os dados coletados, que o russo tinha ligação com Lex Luthor. Ao ser convidado para um evento beneficente para arrecadação de fundos para a biblioteca de Metrópolis, Bruce enxerga a chance perfeita de hackear os sistemas de Lex e conseguir as informações que deseja.



Ao esperar a decrepitação das informações roubadas no dia do evento beneficente, de Lex Luthor, Bruce acaba caindo no sono enquanto aguarda e, tem uma espécie de premonição.


Ali, naquela visão, os temores que já carregava em relação ao Superman, parecem ganhar mais carga, e suas suspeitas de que um dia poderia se voltar contra a humanidade como um tirano, ganham vida por um breve período de tempo quando o vê dilacerando as pessoas com sua visão de calor, tendo todos a sua mercê em submissão.

 


Poucos instantes depois, um viajante do tempo lhe aparece dizendo que ele sempre esteve certo sobre ele. “Bruce, me escuta agora. É a Lois, é a Lois Lane, ela é a chave. Eu cheguei cedo demais? Cheguei muito cedo. Você estava certo sobre ele, sempre esteve certo sobre ele. Cuidado com ele. Encontra a gente Bruce, tem que encontrar a gente”. Assustado, Bruce desperta quase saltando da cadeira. Assim, seria, mesmo que por um pesadelo, um fator que confirmava o que pressentia sobre o Superman.



Com a decrepitação concluída, Bruce descobre que na verdade o Português Branco não era uma pessoa e sim um navio e, que não carregava uma bomba atômica como suspeitava, mas sim Kriptonita, um mineral que faz com que a células Kriptonianas se degenerem. Ele enxerga como uma boa oportunidade de obtê-la para tê-la como arma para o dia que precisasse usar contra o Superman. “Aquele desgraçado trouxe a guerra até nós, há dois anos. Alfred, conte os mortos, são milhares de pessoas. O que vem depois, milhões?”


Ali, no dia que esteve em Metrópolis, vendo os destroços por si mesmo ao seu lado dirigindo seu carro, passando e enxergando com seus próprios olhos pelas ruas, os prédios caindo, pessoas sendo esmagadas, crianças perdendo os pais, gritos de desespero e morte, sentindo a maior ameaça em toda sua carreira, Bruce não se deixa levar pelo que dizem do Superman ter salvado a todos. Alimenta-se ainda mais o ódio e a raiva que já carregava dentro de si pelos anos passados, somados agora com bastante latência pelas vítimas do incidente, por testemunhar mais uma vez malucos vestidos de palhaço causando o caos mais uma vez.



Mesmo depois da batalha de Metrópolis, Bruce ainda não está convencido que o Superman possa ser bom como dizem. Ele segue exatamente o seu próprio instinto de não confiar em alguém que não conhece, de se não permitir ser traído por alguém que nada se sabe, que veio do espaço, sem realmente saber suas reais intenções, tendo todo esse poder de dizimar toda a raça humana se quisesse.


O fato do Superman impedir a ameaça de Zod não prova para ele que ele não virá a ser assim no futuro, mesmo que por ora nada aconteça. “Ele tem o poder de dizimar toda humanidade, se acreditarmos que tem pelos 1% de chance dele ser nosso inimigo isso tem que ser considerado com certeza”. Alfred insiste em dizer que o Superman não é seu inimigo, mas Bruce não se deixaria pagar para ver. “Não é nosso inimigo hoje. Vinte anos em Gotham Alfred, sabemos que promessas não valem nada. Quantos homens bons restaram? Quantos continuaram bons?”.


Pela experiência do Batman durante todos esses anos, podemos nos perguntar o quanto ele já não tenha visto pessoas que se mostraram de boa fé, com boa índole se revelaram lobos em pele de cordeiros. Um bom exemplo disso seria pegar o próprio Harvey Dent, do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas, que se mostrava um bom promotor, correto, honesto, justo, mas que foi corrompido, chegando a matar até pessoas inocentes. Para o Batman acreditar em alguém que se diz bem feitor, seria o mesmo que ensinar a confiança para uma pessoa traída. Ele automaticamente vai se retrair, vai desconfiar por isso ser recorrente em sua vida, e pela própria vida lhe ensinar a não confiar em qualquer um que se mostre bom, pois sabemos onde isso foi parar com todos que assim o fizeram.


Com a perseguição do Batmóvel atrás da Kriptonita, sendo impedida pelo Superman, que aparecera de súbito dizendo para Bruce que era para enterrar o morcego, instantaneamente gera uma fúria no Batman em achar ultrajante que ele deveria de parar o que fazia, com a ordem de alguém que mal surgiu no mundo. Aquele momento fora o estopim para o Batman chutar o balde e de uma vez por todas e querer eliminar o Kriptoniano. “Me diz, você sangra? Vai sangrar”. Ali, com a sensação de impotência, transforma o resquício de homem bom que ainda tinha em homem cruel.

 


Eu realmente não entendo o motivo de alguns acharem que esse Batman é burro ou estúpido. O contexto e os motivos que o levam a agir assim são bem críveis de se entender.


Durante seus vinte anos combatendo o crime em Gotham, ele já viu de tudo. Sua experiência o deixou carregado, quebrado, cansado e frustrado. Com cena inicial no início do filme, com seus pais morrendo ou ele visitando o túmulo deles já adulto próximo a mansão, é um indicativo que ele não superou esse trauma de criança, que isso ainda o atormenta. E depois de ver quem considerava como um filho morrer, por criminosos ou ter os próprios pais mortos por um criminoso, para todo o lado que enxerga é apenas maldade e corrupção, isso acabou o consumindo, corroendo seus próprios princípios. Foi nessa amargura diária, de lamentação, de culpa, carregando um misto de indignação e revolta em si, abraçando essa dureza de coração, que fora abandonando aos poucos, sua própria moralidade, passando do limite que estipulara e matando se necessário, sem nenhum escrúpulo. Sua raiva e seu ódio são tão latentes que ele não consegue ver a razão, mesmo com o Alfred lhe aconselhando.

 


Decidido acabar com o Superman, Bruce se prepara para o combate da sua vida: matar um deus. Ao treinar pesado semana após semana, carregando peso, puxando ferro, preparando seu armamento e deixando engatilhado seu arsenal, chega o dia da grande luta. Como uma besta enjaulada com ódio dentro de si, permitiu que fera saísse e terminasse o trabalho. Sem medir esforços, Bruce usa tudo o que tem para derrotar o Superman. 


Prestes a dar o golpe final, como súplica antes de morrer, Superman pede ao Batman que salvasse sua mãe. Ele sabia que poderia estar morto a qualquer momento, mas antes que isso acontecesse, que pelo menos sua mãe fosse salva. Ao contrário do que muitos pensam ser uma cena ridícula, vazia, malfeita e presunçosa, ela carrega um significado enorme dentro da proposta.


Ao levantar sua lança para perfurar o peito do Superman, Bruce escuta o clamor daquele alienígena pedindo que salvasse alguém com um nome bastante familiar. “Salve a Martha”. Aquilo funcionou como uma arma desarmando Bruce, tocando em sua ferida mais íntima, fazendo-o se retrair como se tivesse tomado uma flechada em seu peito, se questionando o porquê dele conhecer esse nome, de ter dito esse nome, podendo pensar que dissera apenas para provocar por zombaria sabendo de seu trauma. Mas ao ver Lois dizer que esse era o nome de sua mãe, Bruce percebe que alienígena tinha uma família e se vê exatamente como o bandido que tirou a vida de seus pais. Ao recordar ali mesmo como seus pais eram inocentes e morreram por aquele criminoso a sangue frio naquela noite , Bruce percebeu que ele estava agindo igualmente a aquele bandido que tirara a vida de seus pais, matando uma pessoa inocente. Ele percebe que estava se transformando naquilo que jurou combater. Naquele momento ele encontra a razão, depois de anos mergulhado na psicopatia. Clark conseguiu salvar Bruce dele mesmo.



Diante de todo esse contexto da sua vida, de sua experiência como vigilante, das coisas que passou e sofreu, agir da forma que agiu não é atestado de burrice. O Batman, além de tudo, é um ser humano, não uma máquina, mesmo sendo o maior detetive do mundo. Até o Spock, que é o ser mais lógico e racional da cultura pop, demonstrou fraqueza e abalo perdendo sua razão em Star Trek, de 2009, quando fora provocado. Por que o Batman não?  




Arco de Lex Luthor 


Ao convocar e receber a senadora June, na LexCorp, Lex a recebe de bom grado e pede que ela o acompanhe. Pouco depois de se encontrarem, enquanto caminhavam em direção a um laboratório, Lex começa a dizer a ela algo um tanto peculiar: “Sabe, meu pai nasceu na Alemanha oriental... e sábado sim e sábado não, ele tinha que marchar num desfile e acenar com flores para tiranos. Então, era à vontade Deus, que seu filho, eu, terminasse com isso”.


Apresentando a Senadora, junto a sua equipe, Lex mostrava um souvenir a eles, coletado da nave planetária Kriptoniana, um pedaço radioativo de um mineral verde capaz de oferecer decaimento das células Kriptonianas. Se colocando como uma pessoa preocupada com a segurança mundial, Lex solicita para a Senadora um pedido de licença de importação para a exportação de um grande mineral encontrado no oceano pacífico, se assemelhando com o pequeno pedaço já encontrado, para que fosse trazido e, com ele, fosse feito uma arma, alegando resguardo da segurança mundial contra seres poderosos. “Seria como um dissuasivo, uma bala de prata guardada na manga para usar contra os kriptonianos, para que não chegue o dia, senhora, que seus filhos acenam com margaridas para um camarote”.

 

 

 
Aqui, no começo do filme, já se vê claramente a antipatia e o temor de Lex Luthor para com os Kriptonianos, mais precisamente o Superman. Além do Superman, Lex também mostra receio contra pessoas com habilidades especiais e a ameaça que ele enxerga neles, desenvolvendo a tese dos meta-humanos. “Sim, a tese dos meta-humanos. Muito provavelmente, esses seres excepcionais vivem entre nós a base de nossos mitos, deuses entre homens sob o nosso planetinha azul aqui”. Exemplifica como Bruce descobre mais tarde, ao hackear os sistemas operacionais de Luthor, sobre outros seres com habilidades especiais, como o Flash ou Aquaman, pois Lex já os observava a bastante tempo e já procurava algum meio de detê-los, antes mesmo deles se conhecerem e de formarem a Liga da Justiça. 



Ao estudar esses seres excepcionais, Lex se atenta mais precisamente para um que se compara com o poder de um deus. Ele enxerga que naquele ser poderoso uma mentira estava sobre ele e que deveria fazer cair sua máscara. Ao estudar suas características, seus comportamentos, ele conseguiu avistar certo padrão no comportamento do alienígena. Então, sua trama dá início no deserto da África, desenrolando sua arquitetação para afirmar que o Superman é uma farsa.


Ao estar no deserto para uma entrevista exclusiva com um general terrorista, Lois diz ao general que os Estados Unidos declararam neutralidade sobre aquele país por motivos políticos e por princípios. Qualquer interferência militar dos americanos poderia ser encarada como um ato de guerra infringindo leis internacionais. Tanto, que o espião americano, ao tentar se aproximar daquele general para cumprir sua missão sendo agente da CIA , estava disfarçado como fotógrafo, chamando-se de Jimmy Olsen.


Com a ordem de Lex para seus homens, que estavam disfarçados como seguranças daquele general, colocarem Lois em perigo, ele sabia que isso atrairia a presença do Superman. Como o Superman pode ser considerado a maior arma de guerra estadunidense, fora dos muros da América, ao fazer sua aparição e ter sua interferência em um país neutro, infringiu o próprio tratado colocado anteriormente pelos os Estados Unidos que Lois mencionou no início, causando um problema internacional por agir por conta própria. Além disso, os capangas do Luthor matam os próprios terroristas para imputar culpa no Superman, e logo fogem.


Tudo fica muito cinzento e nublado sem que os próprios Estados Unidos soubessem o que aconteceu de fato, tão pouco aquele país do deserto. Mas existe uma coisa que ambos os países sabem, que o Superman esteve lá e isso gerou uma tragédia. Isso leva a crer que sua presença atraiu morte e assassinato. Somado a isso, Lex ameaçou uma das próprias testemunhas, tendo ela como seu peão para depor no Senado sobre este dia do deserto. “As mulheres da aldeia ouviram um barulho, como se o céu tivesse se partido. Ele desceu e aí veio o fogo”.


Luthor sabia exatamente o que aconteceria atraindo a presença do Superman, gerar mais caos na política internacional com sua intervenção, gerando dúvidas na opinião pública sobre o que o Superman deveria fazer e questionar suas atitudes. “Todos ficaram maravilhados com o que o Superman é capaz de fazer que todos se esqueceram do que ele deveria fazer. Essa comissão o considera responsável”.


A partir dessa cena do deserto, começa o cerne principal do filme sobre como o Superman devesse agir na Terra e, os debates que viriam a seguir sobre as consequências que ele traz para o mundo, seguindo suas próprias regras, seguindo sua própria vontade e como isso começa a soar negativo, com pessoas morrendo onde ele tenta fazer algo, com tratados internacionais sendo infringidos, consequentemente gerando caos e instabilidade política, começando a demonstrar que as ações do Superman possam ser perigosas.


Sendo assim, é exatamente a intenção real de Lex, desacreditar um ser que é intitulado de deus, de fazer cair por terra esse título de Messias e mostrar o quão perigoso ele é. De mostrar para pessoas a farsa e a mentira que o Superman é para o mundo, para que as pessoas não depositem sua fé nele.


Com a caldeira fervendo para o lado do Superman, a pressão começa a tomar proporções maiores a respeito do Homem de Aço. Lex, sabendo a respeito de um funcionário da WayneTech que ficara aleijado na batalha contra Zod, vai até ele, de bom grado, dizendo querer ajudá-lo, oferecendo justiça a seu trauma, convencendo-o a depor contra aquele que lhe prejudicara, no capitólio. Dando-lhe até uma cadeira de rodas de presente com a intenção de ganhar sua confiança, usando-o como bode expiatório como argumentação no senado sobre o Superman ser perigoso.

 


Ao levá-lo para o depoimento, como uma das vítimas para condenar as ações do Superman, Lex esconde uma bomba debaixo de sua cadeira de rodas. Com a chegada do Homem de Aço, ao Senado, para depor, antes que pudesse falar, a bomba escondida na cadeira explode, matando todos ali, menos Clark. A suspeita cresce para o lado do Superman, por não ter impedido tal catástrofe, sendo que o mesmo havia visão de raio-x e nada fez.


Com a tragédia no capitólio, as pessoas se perguntam mais ferrenhamente o fato do Superman não ter intervindo. Tudo isso faz parecer que o Homem de Aço é um ser egoísta, indiferente e totalmente falho. Lex, intencionalmente faz isso para exibir as pessoas que ele não é herói que todos pensam ser, para quebrar as esperanças que tinham nele.


Com sua tese dos meta humanos desenvolvida a meses, ou quem sabe alguns anos, Lex passou estudando mais a fundo sobre esses seres com habilidades especiais, observando como se comportam, analisando seus métodos, seus poderes, encontrando padrões de salvamento e de atuação. Sendo assim, Lex consegue descobrir a verdadeira identidade de Clark e Bruce.


Ao invés de divulgar nos meios de comunicação ou espalhar a notícia sobre a verdadeira identidade dos heróis, Lex decide manipular um contra o outro para que ambos se eliminassem. 


Lex Luthor sempre teve uma imagem de uma pessoa ardilosa, ambiciosa, calculista, fria e arrogante. Uma pessoa soberba e vaidosa, com um QI mais avançado que as demais pessoas, com alta habilidade de manipulação. Isso é o Lex Luthor em sua essência. E aqui em Batman vs Superman não é diferente. Por ser este tipo de pessoa capaz de dar trabalho até para seres chamados de deuses, sem possuir poderes especiais, e assim sendo em toda adaptação, seja nas histórias em quadrinhos ou animações, não seria impossível que ele usasse de suas características pessoais e de seus meios tecnológicos para descobrir a identidade do Batman e do Superman.


Inicialmente esse Lex causa certa estranheza pelos seus maneirismos pouco convencionais vistas em outras mídias, no entanto isso não o tira do personagem que é.


Ao se encontrar com o Superman cara a cara no alto do prédio da LexCorp, Lex expõe para ele o quanto ele é um problema a ser erradicado. “O problema do mal no mundo. O problema da virtude absoluta. O problema de você acima de todo o resto. Você acima de tudo. Ah, mas é isso o que deus é. Hórus, Apollo, Jeová, Kal-el, Clark Joseph Kent. Sabe, como chamamos deus depende da nossa tribo. Porque deus é tribal, deus escolhe lado. Nenhum homem do céu interveio quando eu era um menino para me salvar dos punhos e abominações de meu pai. Eu concluí naquela época que se deus é todo-poderoso ele não pode ser de todo bom, e se ele é de todo bom então não pode ser de todo-poderoso. E você também não pode. Eles precisam ver a fraude que você é com os próprios olhos”.



Com sua infância difícil e um pai abusivo, Lex carregou dentro de si durante toda sua vida esse ressentimento de que não existe um benfeitor de verdade no mundo. E com a aparição do Superman, sendo ele tratado pelo povo como um ser divino, Lex jurou que essa figura não passaria de uma farsa, assim como as outras figuras divinas de outras culturas que cultuam um ser messiânico. Que essas divindades agem de forma unilateral, escolhendo lados e não um todo, pois pela sua própria experiência, na hora em que precisou, ninguém esteve lá para ajudá-lo.


Com seu plano de mostrar o quanto ele agiria de forma reprovável para expor a grande farsa que o Superman representa para mundo, Lex chantageia Clark dizendo que ele deveria lutar contra o Morcego de Gotham até a morte, em troca da vida de sua mãe. Clark diz que não entraria nos seus joguinhos sádicos. Porém, Lex diz que ele não teria escolha senão a mulher a quem amava sofreria as consequências. “Você vai lutar, lutar, lutar por aquela moça especial da sua vida. A mulher especial de todo menino, a mamãe”.


Expondo as fotos de Martha amarrada e amordaçada, em cativeiro, Clark entra em choque por ver sua mãe naquele estado. “A mãe do demônio voador deve ser uma bruxa. A punição para bruxas, qual é? Isso mesmo, morte na fogueira”.  Atirando as fotos para ele, Clark se abaixa para pegá-las do chão para ver melhor. Vendo que não era brincadeira, Clark se enfurece e exige saber onde ela estaria, mas Lex diz que não sabe. “Eu não sei, eu não deixei que me dissessem porque se você me matar, Martha morre e se você voar para longe, Martha também morre, mas se você matar o morcego, Marta vive”.


Clark sabia que poderia ali mesmo sair a procura de Martha usando seu voo super sônico, sua super audição, sua visão de raio-x ou o que fosse, mas por estar sendo vigiado e observado, a qualquer direção que fosse a não ser para Gotham, Lex mandaria matar sua mãe sem pestanejar. Clark temeu um mal maior que poderia acontecer, mesmo podendo ter saído a procura de sua mãe, afinal, Lex precisaria de apenas uma fração de desconfiança, usando apenas um segundo para matá-la.


Lex consegue fazer com que o Superman se curvasse a ele. “Muito bem, muito bem, agora deus se dobra a minha vontade. As câmeras estão esperando na sua nave para o mundo ver os defeitos do perfeito. Sim o todo poderoso revela como ele é sujo quando precisa. Pra salvar a Martha, me traga a cabeça do morcego”. Com Clark de joelhos, segurando as fotos de sua mãe caídas ao chão, ele não vê alternativa de pelo menos conversar e convencer o Batman a ajudá-lo ou do pior. 



Lex estava tão convicto de seu plano infalível, de fazer que um brigasse com outro, estava tão certo que sua manipulação de instigar o ódio no Morcego e a indignação no Homem de Aço fosse tão bem-sucedida, que não previu uma única coisa. Que do embate de ambos, ao invés de se matarem, geraria uma aliança. Seu ego limitou sua visão para uma impossibilidade que considerava. Ali, a sua soberba fora sua ruína e pela altivez de seu espírito lhe trouxe a queda.


A criação do Apocalypse servia como uma carta da manga. O plano inicial de Lex era, primeiramente, usar o Cavaleiro das Trevas para matar o Homem de Aço, usando a Martha apenas como uma justificativa para motivar o Superman ao combate. “Eu dei ao morcego uma chance de ganhar mas ele não foi forte”. O plano em si era, dando uma oportunidade ao Batman com a Kriptonita, que deixou que roubasse de si, fazer com que ele matasse o Superman.


Se o Batman viesse a ser o vencedor, Lex ali mesmo se felicitaria pelo seu plano inicial dar certo e entraria em júbilo consigo mesmo pela sua mente brilhante ter realizado tal feito. Sendo assim, caso o Morcego ganhasse, ele poderia ali mesmo descartar a ideia de usar o Apocalypse, e procurar eliminar o Batman de outra forma futuramente.

 

Caso o Superman matasse o Batman, além de fazer um serviço para Lex, de eliminar o Homem Morcego, por considerar ele também uma ameaça a si, ainda sim, ele usaria o monstrão para ser sua segunda opção de matá-lo. “Eu não odeio o pecador, eu odeio o pecado e o seu, meu amigo, é existir”. O Apocalypse só vem de fato a nascer, quando o Superman diz que ambos os heróis não iriam mais brigar. “Se o homem não mata deus, o diabo matará”. Somente a partir daí que o Apocalypse vem a existir no filme.



Arco da Lois (Menção honrosa) 


Vale destacar que a conspiração de Luthor só veio a ser desmascarada por causa de uma personagem que conseguiu farejar seus passos desde a trama do deserto.


Clark diz a Lois que não matou aquelas pessoas no deserto. A testemunha no Senado já conta o contrário, em rede nacional. Que ele fora sim o responsável por tudo aquilo. Sentindo-se perturbada e tirando suas noites de sono, com o seu trabalho investigativo, Lois começa a se questionar o que realmente aconteceu naquele dia e parte para descobrir a verdade. Ao coletar uma bala que ficara em seu diário, no dia do deserto, Lois tenta buscar respostas a partir daquela evidência para entender o que aconteceu naquele dia.


Levando a bala criminalística para análise, ela descobre que o tipo de material com que foi forjada não é comum de ser vendida em nenhum local conhecido. “Não bate, meus amigos da criminalística nunca viram uma igual. Essa bala é a que foi recuperada do local do tiroteio no deserto. Não é vendida comercialmente em nenhum lugar no mundo, nem no mercado negro. Então quem deu esses protótipos de projéteis militares para os combatentes do tuaregues no Saara?”.


Lois faz um pedido a Perry, uma viagem a Washington para pedir ajuda do General Swanwick. Inicialmente ele não acredita nessa conspiração que Lois acha que esteja acontecendo. Mas ao insistir para que pelo menos desse uma olhada, Swanwick decide averiguar o pedido de Lois, que entrega a bala recuperada do deserto e ele a leva para a divisão de crimes para análise. E nesta divisão, o General Swanwick contesta irregularidades naquele dia. “A divisão de crimes acha que o dia deserto foi uma armação. Alguém queria que o Superman parecesse culpado. O metal da bala foi desenvolvido numa empresa privada, LexCorp. Luthor também tinha seguranças particulares na base do deserto”.


Mais para frente, juntando as pistas das tragédias que envolviam o Superman, Lois vai até à casa do funcionário da WayneTech, para saber se poderia encontrar alguma informação relevante, e descobre que nem ele saberia que morreria. Momentos depois, em uma ligação com uma perita responsável no caso da explosão do Capitólio, Lois descobre que no dia da explosão, a cadeira de rodas do funcionário da WayneTech, fora feita do mesmo material da bala.

- A cadeira de rodas e a bala do deserto forma feitas do mesmo metal.

- Eu sei, o deserto, a audiência, aonde o Superman vai o Luthor quer morte.

- O Luthor se dá todo esse trabalho, cria uma bomba dentro de uma cadeira de rodas e altera ela para reduzir a explosão?

- O que quer dizer?

- O interior da cadeira era revestida de chumbo.

- Você não poderia impedir, você não poderia ver.



Com isso, percebe-se claramente que as coisas não foram acontecendo aleatoriamente, sem ninguém sequer tentar investigar e entender as consequências ruins que estavam atreladas ao Superman, fazendo cair por terra os argumentos que muitos usam para dizer que o roteiro fora conveniente, jogando a favor das tramas de Lex Luthor.
 
Por fim, ao analisar meticulosamente cada personagem, suas ações e suas intenções dentro da trama de Batman vs Superman, é possível dizer que para tudo que há no filme, possui uma explicação plausível, coerente e justificável. Não é um filme para preguiçosos. Ele consegue ser profundo e complexo e, basta parar para pensar um pouco em cada cena ou diálogo que encontrará as respostas adequadas para cada questão.

Esse filme está longe de ser esquecível, como muitos outros por aí, pois ele funciona como vinho. Com os anos, ele se torna mais gostoso e prazeroso de ser apreciado. Cada vez mais que se for assistido, terá detalhes novos a serem percebidos. Não será datado ou maçante, mas cada vez mais relevante.
 
 

Batman vs Superman é uma obra a frente do seu tempo!

 
 
Como muita coisa que não é entendida por ora, consequentemente será odiada por agora. Mas, que no tempo certo, terá seu devido valor concedido por finalmente ser compreendido.
 



Percebi que o bom da vida muito se encontra na arte. Sou apenas alguém que a observa e a deixa se comunicar, permitindo que sua graça se transmita a eu sentir sua excelência. Sendo assim, ela fala sem dizer nada, e na voz do seu silêncio, tornou-se minha amada. Foi assim que descobri gosto por obras primas como O Senhor dos Anéis, Star Wars e DC. E nesse mundo da imaginação, sou aquele fortemente ligado a fantasia e ficção.

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